sexta-feira, 18 de junho de 2010

Epílogo

Se este percurso teve um prólogo, é porque certamente também iria ter um epílogo! Eis-nos então chegados ao derradeiro momento deste exílio! :)

Serve este momento para vos agradecer, por me terem ajudado a ultrapassar da melhor forma possível este tempo de ausência. Espero que tenha sido tão interessante para vós ler este blog quanto foi divertido para mim escrevê-lo!

E antes que me perguntem um monte de vezes a mesma questão: não sei, não sei mesmo se este blog voltará a ter actividade... a ver vamos o que o futuro nos reserva!

Mas o que interessa a sério neste momento é voltar a ver o Lado Solar de Portugal, if you know what I mean!

Cardiff, I'll see you next time!
 

segunda-feira, 14 de junho de 2010

As "british babes"

Não poderia passar sem vos falar do "outro país" que é o Reino Unido à noite! Merece por si só um post, digo eu!


















Toda a repressão causada pela rotina do dia-a-dia, a tirania dos horários e a perfídia dos patrões termina mal o Sol dá o seu lugar à Lua: é a loucura-loucura!! Esta podia ser a descrição para a transformação dos homens em lobisomens, mas não anda lá muito longe!


















O "Limahl" em Cardiff! ;)

A St. Mary Street (que sacrilégio, Santa Maria!) aqui em Cardiff é palco (quase) diário de um verdadeiro Carnaval (ou Halloween, como quiserem!!). Só falta mesmo um trem eléctrico...































Se durante o dia o gosto e o decoro já são bastante duvidosos, à noite decerto não há dúvida alguma! E o melhor é que é  tudo "perfeitamente normal", como disse um treinador de futebol da nossa praça há muitos anos! (que é feito dele, já agora??)

















É realmente qualquer coisa apreciar a deselegância, o mau-gosto e a (muito) pouca vergonha destas "meninas" (?!?!) aos quais acresce o facto de todos acharem isso banalíssimo!















Vasquinho, isto é que são colegiais, não??

Decerto que esta é uma faceta do Reino Unido que não vou esquecer tão cedo...mas sinceramente, importações destas para Portugal dispensam-se bem!! Se bem que agora compreendo um pouco melhor Albufeira...



























O título deste post é dedicado a um de vós, que me lê. Ele queria que lhe mostrasse as "british babes". Pois aí estão elas! Que "brotinhos" lindos, Toninho, não???

























quarta-feira, 9 de junho de 2010

As casas

Ora bem, já vos falei das pessoas e das pessoas nas casas...para fechar o ciclo de combinações possíveis, falta então falar das casas propriamente ditas!

Pois bem, as casas são mais uma das deliciosas particularidades do Reino Unido. Contrariamente ao que é hábito em Portugal, o grosso das pessoas não vive em apartamentos mas sim em moradias (vivendas) unifamiliares. Mas não se excitem muito! Rapidamente vão ver quais dos cenários preferem (presumo)!


















Uma rua típica de Cardiff - a minha do ano passado

Aqui as moradias são todas iguais por ruas (e, porque não, por bairros). Como podem ver na foto acima, que se refere à minha rua do ano passado, difícil é escolher a casa de que se gosta mais. ;) E se a rua for pouco iluminada à noite, não é difícil enganarmo-nos, como podem imaginar!

 

















Outra rua típica de Cardiff;)

Chega mesmo a ser confrangedor verificar rua após rua aquilo a que chamo de arquitectura "copy-paste". Arquitectos/futuros arquitectos, atenção: esqueçam o Reino Unido! A não ser que seja para fazer edifícios públicos / monumentos / ... mas casas não!





















 





Uma banal casa (que, por acaso, foi a minha do ano passado!)

Por dentro, guess what? É a mesma coisa: a estrutura, a localização das divisões, bem como a sua área são decalcadas a papel químico de uma casa para a outra. Ah, e aqui a alcatifa é rainha! E não só nas casas, também nos edifícios públicos! Graças a Deus as minhas alergias já não são o que eram! ;)
















































Descubra as diferenças! (casa de 2009 em cima vs casa de 2010 em baixo)

Mas não sejamos de todo injustos: há zonas nas cidades do Reino Unido onde esta lógica não é totalmente válida. Isto é, onde existe construção mais "personalizada" e também alguns apartamentos. Mas tudo construção que não é para os bolsos de um normal cidadão britânico! O que dá que pensar: os ricos em apartamentos (de luxo) e os menos ricos em moradias unifamiliares... um pouco diferente de Portugal, não?
  

terça-feira, 1 de junho de 2010

As pessoas...em casa!

Na última vez que vos escrevi, falei-vos das pessoas do Reino Unido e, em particular, dos britânicos (galeses, ingleses, ...). Desta vez, vou falar-vos de como é viver com pessoas em casa. Ou melhor, de como tem sido a minha experiência!

Como sabem, é muito comum quando se está fora nestas condições partilhar uma casa arrendada. Em primeiro lugar, porque arrendar um T0/T1/estúdio implica burocracias e trabalhos aos quais um estudante tipicamente não está a fim de se sujeitar. E em segundo lugar (mas não menos importante!), o dinheiro normalmente não abunda... Assim, surge a hipótese de partilhar uma casa arrendada com outros estudantes: dividem-se os custos e (supostamente) os esforços e têm-se (quase) tudo o que necessitamos: um quarto só nosso e acesso (partilhado) a casas de banho, anexos com equipamentos (máquinas de lavar, secar, ...), sala de estar e, the last but not the least, cozinha.

Costuma-se dizer que na vida "em tudo é preciso ter-se sorte". E, neste caso, é naturalmente preciso ter-se sorte com as pessoas com quem partilhamos a casa. Pois aquilo que seria uma conveniência pode tornar-se um pesadelo: falta de colaboração nas tarefas comuns, desarrumação, barulho ... que acabam por redundar em mau ambiente e numa má experiência. Porém, apesar de nem tudo serem (terem sido) rosas, não me posso queixar muito!

No ano passado, quando cá estive cerca de um mês, partilhei a casa com quatro estudantes (2 rapazes e 2 raparigas) do Brunei! Para quem não sabe, o Brunei é um pequeno país do Sudeste Asiático (sim, têm os olhos em bico!). Não estive lá por muito tempo, mas foi marcante dado que foi a primeira vez que saí "debaixo das saias da mãe". No geral, correu tudo bem: o quarto era pequeno, mas limpo, e a casa tinha tudo o que eu precisava por um preço bastante razoável. Os bruneanos eram simpáticos e razoavelmente sossegados e limpos. Eram daquele tipo de pessoas "se não me chateares, também não te chateio". E embora não houvesse uma "lista de tarefas rotativa" (que recomendo que façam caso venham a viver em casas partilhadas!!), as coisas correram normalmente.

Este ano, saiu-me "na rifa" uma casa com quatro mulheres: ouviram bem, quatro mulheres! Três estudantes de Erasmus (duas italianas e uma finlandesa) e uma recém-graduada (inglesa). Se por um lado, isso significaria à partida mais barulho, por outro lado talvez representasse mais limpeza e organização. Pois, mas nem sempre os estereótipos se confirmam...

Com uma certa lógica, quem deveria ter maior "responsabilidade" na casa seria a rapariga inglesa, por já ter acabado o curso e ser mais velha. No entanto, redondo engano: não havia ninguém mais desorganizado e desleixado nesta casa do que ela! Digo havia, pois felizmente ela saiu no fim do mês de Abril, para meu suspiro de alívio. Uff!! Ah, e é bom nem falar das qualidades culinárias...adiante!

Assim, durante o mês de Maio fomos quatro aqui em casa...e as coisas melhoraram um pouco mas não tanto quanto eu gostava, confesso... sem querer particularizar, a capacidade de perceber que existem outros em casa não é o forte de algumas pessoas aqui. Mas não me posso queixar demasiado, de certeza poder-me-ia ter calhado uma "fava" maior.

Agora que o mês de Junho se iniciou, temos aqui um novo inquilino, um francês. Vá lá, dizem vocês, assim fica mais equilibrado (ooooh, dirão outros de vós ;) ).

Espero que nos dias que me restam aqui, com este novo equilíbrio que vai ter de se criar, tudo corra pelo melhor. E, para mim, o melhor é muito simples. É a política dos bruneanos: "se não me chateares, também não te chateio".

O grande ensinamento retiro da vivência em conjunto nestas circunstâncias é mesmo este: viver a nossa vida, sabendo que a nossa liberdade não acaba onde a do outro começa - neste caso, a liberdade é partilhada. E só se todos souberem como a partilhar tudo poderá correr pelo melhor.
 

terça-feira, 25 de maio de 2010

As pessoas

Costuma-se dizer que os verdadeiros pilares das instituições são as pessoas. Isto é, o que torna um lar, uma instituição e, em última análise, um país verdadeiramente grandioso está directamente relacionado com a valia das pessoas que lhes estão associadas. E é sobre a "grandiosidade" do País de Gales (e, por arrastamento, de toda a Grã-Bretanha) que vos quero escrever hoje: as pessoas.

Antes de mais, uma pergunta que ressalta de imediato a quem visita estas paragens: quem são na verdade os nativos, os Britânicos? Existe pelas ruas uma tal diversidade de etnias, idiomas, tribos, dialectos ... que se torna muito difícil saber quem são os nativos (acreditem, é mesmo complicado por vezes!). Só para terem uma ideia no meu Departamento existem no corpo docente 2 ou 3 professores britânicos e os outros, cerca de 20, estrangeiros, de todos os continentes! Então imaginem os alunos de Doutoramento... (a começar por mim, não é?)

Vou porém dedicar-me neste pequeno espaço apenas aos britânicos (sejam eles ingleses, galeses, escoceses e (norte-) irlandeses). Ao longo de muitos anos todos crescemos com um certo número de pré-concepções acerca do povo britânico. E ao longo deste meu "exílio" tenho vindo a constatar a veracidade (ou não veracidade!) de algumas delas. 

Um dos "clichés" mais habituais associados ao povo britânico é a pontualidade. Quanto a isso, nada a dizer, são de facto seres extremamente focados em que tudo aconteça na hora certa, na ordem certa. Os autocarros são um exemplo disto: muito raramente se atrasam e fazem mesmo quando necessário algumas "paragens" mais prolongadas apenas para se manterem no horário previsto em todas as paragens subsequentes (caso estejam adiantados, evidentemente).

Outra coisa que torna os britânicos famosos é o chá, ou melhor, a "hora do chá". Constatei que realmente há como que uma "religião" do chá... há chá seja ao inicio da manhã, a seguir ao almoço ou "à hora do chá" - tipicamente às 16 horas. Faltam é os "scones", pelo menos os tradicionais ingleses! Visto que aqui existe a chamada bolacha galesa que, no fundo, é o "scone" galês (mas não tem nada a ver!!). Ah, e claro, também tomam o "café" da praxe..."café" entre aspas, pois claro, pois ele é inenarravelmente mau! Graças a Deus trouxe Delta de Portugal! ;)





















A bolacha galesa tem pequenas porções de uvas-passas (ou "coríntios", como lhe quiserem chamar)

Existe também a ideia que os britânicos são, regra geral, muito bem educados e tem um charme e humor frescos, um certo politeness (talvez uma ideia proveniente de personagens como o 007 de Sean Connery). Pois aqui é que as coisas mudam um pouco de figura! A "regra geral" torna-se "excepção" e o bom humor anda dissimulado (em estado de embriaguez não conta!!).
Apesar dos motoristas de autocarro serem muito bem educadinhos ao saudarem e agradecerem o serviço aos passageiros, são simultaneamente capazes de não deixar entrar alguém que chegue um "cagagésimo" de segundo atrasado à paragem ou que queira entrar 2 metros após a paragem, caso o veículo já tenha retomado a marcha.
Um outro exemplo da forma de ser dos britânicos (isto quando estão sóbrios, reforço!!) é o facto de muito frequentemente ignorarem o "próximo": entra-se numa sala/gabinete e nem uma nem duas...não está lá ninguém! Para já não falar das duas ou três vezes que já me deixaram com a mão estendida...cultura ou má educação, fica ao vosso critério!

A (falta de) limpeza dos britânicos afinal não é hábito exclusivo dos que vemos todos os anos no Al(l)garve...é algo generalizado mesmo! Senão vejam: recolhas de lixo reciclável quinzenais (!) e de lixo para compostagem semanais não rimam decerto com limpeza...e aqui sim, é cultural mesmo! É também triste verificar o tão pouco cuidado e gosto que, pelo menos os habitantes de Cardiff, têm para com os espaços verdes e canteiros florais (maravilhosos!) à sua disposição! Enfim, Suíça há só uma mesmo!!

No geral, penso que a Grã-Bretanha podia ser muito "mais Grã-Bretanha". Mas ninguém é perfeito, não é?
 

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O inglês ... e o "cymraeg"

Como muitos de vós sabem, no País de Gales não se fala exclusivamente o inglês.



















Placa bilingue em Cardiff: inglês e galês. (foto retirada de http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:CallaghanSquareSignCardiffCaerdydd200507_CopyrightKaihsuTai.jpg)

Nesta imagem podem ver que as indicações estão feitas em duas línguas: o inglês e o galês (não, não é "gaélico". Existem semelhanças, mas este último é falado na Escócia.). Vocês "acreditam" que é galês o que está escrito na placa, não é? Pois não parece haver (e não há mesmo!!) grande similitude com o nosso bem conhecido inglês.

O galês deriva do idioma dos antigos povos Célticos que ocuparam o território do País de Gales no século VI, tornando-se desta forma a mais antiga língua ainda activa do Reino Unido. O inglês surgiu noutra era e de uma origem totalmente diferente: os Anglo-Saxões. Estes vieram das actuais Alemanha e Escandinávia, "fundindo" ao longo de três séculos (desde o século VIII ao século XI) os seus idiomas primitivos naquilo que podemos chamar de "inglês original". Ou seja, para grandes diferenças na origem, grandes diferenças na fonia/morfologia.

O alfabeto "galês" tem 28 letras, ao contrário do alfabeto latino (que tem 23 letras) e existe acentuação, o que não existe no inglês. É também de notar a estrutura frásica, que é muito mais próxima da nossa, ao contrário do inglês onde existe a chamada "inversão do sujeito". Existem muitas outras diferenças que não interessa aqui mencionar (e das quais apenas sei pois investiguei um pouco, claro!).

Hoje em dia, o galês (cymraeg) é tão lingua ofícial do País de Gales como o é o inglês. E tem os mesmos direitos, institucionalmente. Daí aparecer em todas as placas indicativas, bem como em edifícios e nomes de ruas! (mesmo que o nome de algumas ruas em galês tenha sido inventado a partir da palavra inglesa correspondente!)

Mas desenganem-se se pensam que esta é uma língua residual/em desuso. Não é bem assim! Na verdade, 20% da população fala a língua e este numero tem vindo a crescer, pois existem cada vez mais escolas primárias que leccionam 100% em galês. Isto deve-se grandemente ao sentimento nacionalista da população (e, por consequência, anti-Coroa Real), que tem vindo a ganhar terreno desde meados do século XX - com o fim do império do carvão. Porém, não é vulgar ouvir falar galês em Cardiff, bem como nas outras grandes cidades de Gales (Swansea e Newport). Este crescimento têm-se verificado mais nas zonas rurais, no Norte e Oeste do país.

Como calculam, não "pesco" nada de galês, mas acho-lhe piada. E acima de tudo tenho muito respeito por este povo, que está a lutar por preservar uma raiz, em contra-ciclo com a tendência actual de "harmonização" cultural (eufemismo de globalização), que tem vindo a fazer desaparecer (quase) tudo o que é típico e regional. "Well done, welsh people"! Ou deverei dizer: "wneud yn dda, pobl Cymraeg!" ?
 

terça-feira, 4 de maio de 2010

A "comida"

Depois de uma pequena visita turística por Cardiff, aproveito agora o mote com que terminei a minha última mensagem e vou hoje falar-vos sobre a "comida" em Cardiff e, de um modo geral, no Reino Unido.

Começando pelo pequeno-almoço, sugiro-vos o tradicional pequeno-almoço galês: um belíssimo "pão" de algas (sim, algas!) acompanhado de ovos mexidos, berbigões fritos, bacon e salsichas! E claro, para acompanhar um pint (0,568 litros) de Brains, a cerveja "oficial" do País de Gales. Com fome já?? :)




















Pequeno-almoço tradicional do País de Gales (imagem retirada de www.welshfoodie.com/s_wales_dining.htm)

Então passemos agora aos pratos principais! Para além do "petisco" Jacket Potatoes que já vos apresentei na mensagem anterior, temos:






















A sopa tradicional galesa: cawl - com carne de cordeiro, legumes, queijo e pão... e mais nada! (imagem retirada de www.ukstudentlife.com/Travel/Tours/Wales/All.htm)

 














Peixe com batatas fritas (fish and chips), com ketchup (mas sem sal e com muita gordura!) (imagem retirada de my.opera.com/kirstycat/blog/breaded-fish-with-rosemary-oven-chips)






















Faggots (almôndegas) com puré de batata e ervilhas - mas sem condimentos nem salada de legumes... (imagem retirada de en.wikipedia.org/wiki/File:Faggots-and-gravy.jpg)



























A tradicional tarte dos pastores: Shepperd's Pie - dever-se-ia chamar "tarte dos pastores viúvos"...acreditem, já provei! (imagem retirada de www.bbcgoodfood.com/recipes/3208/quick-spiced-shepherds-pie)

Como podem ver, para além de uma gritante falta de bom gosto (e de amor à própria saúde, diga-se de passagem!!), falta certamente aos britânicos, e aos galeses em particular, uma "mãe" que cozinhe para eles!

Não existe uma tradição culinária consolidada no Reino Unido, o que torna as suas "confecções" (demasiado) primitivas. O uso de especiarias na confecção dos pratos é algo de aparentemente "exótico", sem interesse! Quando falo em especiarias, incluo aqui o sal...! E só para terem noção, o azeite aparece nos supermercados na secção "comida internacional"...

A esta "não cozinha" ajudam as "pancas" britânicas quanto às alergias alimentares (ao sal, à pimenta, ao gluten, ...). Assim, as pessoas que desejem sal/pimenta/... nos cozinhados que os coloquem à parte após o prato chegar à mesa! Quem de vós cozinha sabe bem que não é (nada!) a mesma coisa!!

De uma forma geral, para os britânicos "cozinhar" significa deitar os ingredientes numa panela com água, ligar o fogão e esperar que fique pronto...por fim juntar o "saudável" ketchup ou outros molhos pré-comprados e fazer a festa! Ah, existe também claro a alternativa de fritar! Tudo bem regado com uns belos pints! Mas, se querem mesmo saber, a alternativa preferida deles é ir ao fim da tarde a um dos inúmeros fast-food take-aways que existem por estas ruas e levarem para casa a "refeição" para toda a família...sim, mesmo para as crianças pequenas!

Contudo, existem por aqui alguns "céus" no meio deste "Inferno" culinário: pelo menos dois restaurantes portugueses, que eu conheça. Já fui a um deles e definitivamente é um achado por estas bandas! Existem também imensos restaurantes italianos, sendo que uma boa parte deles parece ter qualidade.

De qualquer forma, eu cá prefiro comer sempre no meu próprio "restaurante"! É também uma forma de me sentir mais próximo de quem deixei...ah, e a saúde e carteira agradecem!
 

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A Vila Desportiva

Naquela que penso ser a última paragem desta visita turística a Cardiff que vos tenho vindo a fazer, vou hoje mostrar-vos um pouco da Vila Desportiva (Sports Village) de Cardiff. A Vila Desportiva está ainda incluída  na Baía de Cardiff. Em particular quero-vos falar da Piscina Internacional de Cardiff. Deverei chamar-lhe Piscina ou Parque Aquático??






















A Piscina Internacional de Cardiff - Foto retirada de http://www.panoramio.com/photo/19665188

Este edifício espelhado em forma de onda esconde "apenas": uma piscina de 50 metros com 10 pistas e uma bancada para 1000 pessoas; uma zona de diversão aquática com escorregas gigantes e jactos de água; um ginásio com 110 aparelhos e zona de jacuzzi e banhos; uma creche (!) e um café-bar! Ou seja, tudo em grande!



















A piscina de 50 metros da Piscina Internacional de Cardiff

Esta Piscina irá servir de base de treino para selecções de natação durante os Jogos Olímpicos de Londres 2012.




















Pormenor da zona de diversão aquática
 



















Outra perspectiva da zona de diversão aquática. Note-se no canto superior esquerdo a zona de ginásio.

E pensam vocês, mas deve ser um roubo (€€) nadar aí! Nem por isso, digo eu! A piscina funciona todos os dias com horários bem alargados e podemos nadar sem qualquer restrição de tempo por cerca de 4 €, com acesso à parte de diversão aquática. O ginásio é independente da piscina mas pode-se comprar um "full pass" que permite o acesso tanto ao ginásio como à piscina, sem restrições de tempo também.

De facto, faz falta um "espacinho" destes no Porto/arredores, não acham?

A Vila Desportiva não se esgota, porém, na Piscina. Existe ainda um ringue de gelo (Ice Rink) onde se pode patinar livremente (pagando, claro!), mas com algumas restrições visto que é lá que jogam os Cardiff Devils (a equipa de hóquei no gelo de Cardiff). O ringue de gelo é, no entanto, provisório até que se conclua a construção de um novo (e mais completo) pavilhão próprio para o efeito, também na Vila Desportiva.





















O ringue de gelo



















Pormenor do ringue de gelo, com equipas de hóquei em treino

Nesta zona desportiva desponta ainda o recém-inaugurado centro de canoagem/rafting/surf/..., também já a pensar nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Porém, neste caso será mesmo para algumas provas oficiais, não apenas para treinos! Contudo, o centro está vocacionado também para o grande público e, em particular, para grupos. Vejam nesta notícia da BBC Wales o vídeo a meio da mesma!

Fora da Vila Desportiva existem ainda muitas outras alternativas (boas e acessíveis) para se praticar um grande número de desportos, o que torna a cidade de Cardiff bastante generosa nesse sentido. Tendo isto por base, parece difícil perceber o porquê deste povo ser tão gordo e mal ajeitado! Quer dizer, difícil perceber só mesmo para quem cá não vive!





















As famosíssimas Jacket Potatoes (batatas por descascar) com recheio de feijão (nham nham........) - imagem retirada de http://syphon.us/2008/07/jacket-potatoes/

Porque só quem cá vive é que vê o que eles comem - se é que se pode chamar àquilo "comida"! ;) - e, principalmente, bebem!!
 

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Baía de Cardiff

Não, não é "a Baía de...Cascais". É mesmo a Baía de Cardiff. É aqui que desaguam dois dos rios que atravessam Cardiff, o Taff e o Ely.



















Vista da Baía de Cardiff a partir da antiga Igreja Norueguesa

Por aquilo que tenho escrito e mostrado aqui, ninguém diria que poderia existir em Cardiff um sítio assim, não é?



















Vista panorâmica da Roald Dahl Plass

Cardiff é uma cidade costeira, banhada pelo Oceano Atlântico. Mas se querem que vos diga, nem parece o mesmo do Porto...o "nosso" Oceano Atlântico é muito mais bonito! :)

A Baía de Cardiff nasceu do objectivo de requalificar uma zona que estava abandonada desde que a exploração de carvão entrou em declínio nesta zona. Ao longo do século XIX e até meados do século XX, o comércio de carvão era o ganha-pão do Sul do País de Gales. O terceiro Marquês de Bute (sim, da mesma família Bute do Castelo e do Parque!), o dono das docas de Cardiff, tornou-se até o homem mais rico do Mundo da sua época. Estávamos em finais do século XIX. Porém, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, o comércio de carvão entrou em decadência e assim as docas foram desactivadas (e deixadas ao quase abandono).




















Posto de turismo da Baía de Cardiff

Em 1999 deu-se o pontapé de saída na requalificação das antigas docas para as tornar no que chamamos hoje a Baía de Cardiff. Hoje em dia, a Baía é já por si só um pólo de atracção a Cardiff. Lá podemos assistir a espectáculos de artes de palco (dança, música, teatro, ...) no magnífico Wales Millennium Centre;





















O Wales Millennium Centre

Fazer compras no comércio tradicional e em lojas de artesanato, bem como no novo Red Dragon Shopping (Dragaum Burmelho?? Que heresia é essa? :) Pois, é o símbolo da bandeira do País de Gales, o Dragão Vermelho) e no Mermaid Quay; ir a espaços nocturnos, restaurantes e cafés, dos quais destaco a antiga Igreja Norueguesa (Norwegian Church);



























A antiga Igreja Norueguesa, hoje um café-concerto-livraria

Praticar desportos náuticos tais como a canoagem e a vela; visitar atracções como o Techniquest (uma espécie de Visionarium), o Senado (Senedd) da Assembleia Nacional e o Pierhead Building. O Pierhead Building é mais conhecido aqui como o "Baby Big Ben" ou o Big Ben de Gales. Antigamente era a sede das docas de Cardiff, agora é o Museu da História de Gales.





















O Techniquest, centro de divulgação científica




















Vista lateral do Senado, Senedd





















O Pierhead Building, o Baby Big Ben

Como não poderia deixar de ser, existem alguns hotéis na zona, dos quais o mais notável é o St. David's Hotel & Spa, um hotel de luxo de 5 estrelas com design arrojado.
















O St. David's Hotel & Spa, à esquerda na imagem

Anualmente realiza-se em Julho na praça principal da Baía de Cardiff, a Roald Dahl Plass (escritor natural de Cardiff, autor de, entre outros, "Os Gremlins" e "Charlie e a Fábrica de Chocolate"), o concorrido Festival Gastronómico Internacional de Cardiff. 
 















Festival Gastronómico Internacional de Cardiff (foto retirada do site http://www.cardiff-festival.com/ifd_e.htm)

Existem muitas outras actividades tais como feiras e exposições, permanentes e temporárias, a decorrer ao longo do ano para manter a actividade da Baía sempre em alta. Existem ainda a Marina de Cardiff e a Cidade Desportiva (Sports Village), de que vos falarei um destes dias.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O Castelo de Cardiff

O Castelo de Cardiff é, quiçá, o mais emblemático cartão de visita da cidade.

 



 











Vista aérea do Castelo de Cardiff, com o Bute Park no canto superior direito (imagem retirada de http://www.cardiffconferencebureau.com/Ambassador-Programme.html)

Erguido bem no actual Centro Histórico e Cívico da cidade, as suas origens remontam aos Romanos (!!). Ou seja, algures pelo século I d.C.. Desses tempos ainda subsistem as marcas da muralha exterior.



















Alçado principal do Castelo. Notar a parte recortada a vermelho da muralha: é o que resta da antiga muralha Romana

Desde então muita coisa se alterou no Castelo, como calculam. Na verdade, ele mudou diversas vezes de mãos, o que o torna, a meu ver, tão especial. Nele co-habitam diversas épocas, estilos arquitectónicos, memórias de tempos idos...que hoje reunem-se num conjunto tão invulgar quanto aprazível.



























O "último reduto": símbolo da presença Normanda (século XI)

A marca final do Castelo está indelevelmente ligada à família burguesa Bute, que entre os inícios do século XIX e meados do século XX reformulou completamente a arquitectura da Mansão para uma estrutura Gótica-Victoriana, tão em voga na época (devido à Rainha Victoria). 





















A Mansão, com a sua arquitectura Gótica-Victoriana (reformulação finalizada no Século XIX)



























O magnifico tecto banhado a ouro do Salão Árabe (Mansão)



























A Biblioteca, pormenor do fogão de sala (Mansão)

Se bem se lembram, eu tinha dito que o Bute Park estava limitado a Sul pelo Castelo de Cardiff. Para ser mais preciso, o Bute Park era um "jardim" privativo do Castelo! Digo era, pois já não é... um pouco após a Segunda Guerra Mundial, em 1947, o herdeiro Bute da altura doou o Castelo, bem como o Parque, à cidade de Cardiff. Desta forma, todos os cidadãos de Cardiff, por intermédio do governo da cidade, são "donos" do Castelo. Por isso, todos os habitantes e pessoas que trabalhem em Cardiff podem entrar gratuitamente e indiscriminadamente no Castelo (excepto nas visitas guiadas, em que pagam um valor simbólico). E, evidentemente, hoje em dia qualquer pessoa pode passear livremente no Parque.





















O Bute Park visto do topo do "último reduto"






















O portão norte do Castelo, que faz a ligação ao Bute Park

Desde então, o Castelo de Cardiff é uma atracção de visita obrigatória para qualquer turista que venha a Cardiff. Oferece múltiplos eventos ao longo do ano, tais como feiras medievais, festivais gastronómicos e até concertos! Acreditam que os Green Day tocaram lá em 2002? É mesmo verdade! 



























Pormenor da torre principal do Castelo, num dos cantos do alçado principal

O Castelo de Cardiff é certamente um local que levarei no meu coração, como marca desta cidade e destes tempos que cá tenho passado.